terça-feira, 9 de setembro de 2008

O que pode estragar o dia?

Infecção urinária.
Isso foi o que ouvi da médica, mas nem era necessário - após passar a noite entre o trono e a cama eu já imaginava uma coisa assim.
Além da prescrição de antibióticos as orientações foram: beber bastante líquido e não segurar o xixi.
Vamos às implicações que isso traz:

1 - Quanto ao antibiótico não tenho muita escolha mesmo, o jeito é pagar e lembrar que é isso que vai resolver o meu problema;

2 - Beber bastante líquido... já tinham me falado isso, mas quanto mais água eu bebo, mais vezes tenho que ir ao banheiro e passar pelo mesmo sufoco;

3 - Não segurar o xixi. Isso vai ser mais complicado... eu não quero segurar o xixi, mas alguém precisa avisar isso para o meu corpo, ele simplesmente trava!

Agora, a não ser que eu compre um pacote de fraldas geriátricas, eu não sei como vou assistir as aulas hoje. A cada cinco minutos eu corro para o banheiro do escritório para deixar uns pinguinhos por lá.

Parece que o problema da incontinência urinária me persegue...

Só para registrar: nós mulheres somos as maiores vítimas deste tipo de infecção devido às nossas características anatômicas.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Heute Ich lerne Deutsche

Pois é, deixei de malhar alguns músculos para malhar meu cérebro... e olha que ele está sentindo o impacto.

Por variados motivos, deixei a academia de lado e me matriculei no curso de alemão. Agora às terças e quintas à noite as pessoas podem me ver com cara de quem acabou de ser devolvida de uma abdusão (na verdade ainda pretendo voltar para a academia, mas isso não vem ao caso).

Tenho que concordar que o idioma germânico não é a coisa mais fácil que já me atrevi a tentar aprender; mas também não é tão impossível como os comentários das pessoas faziam parecer.

Algumas pessoas me perguntaram: mas porquê alemão?

Simples, como comunicadora que sou, não podia me contentar apenas com o inglês. Sei que o espanhol é suuuper requisitado, mas sabe, não tenho muita paciência para o idioma espanhol?!? Com as opções viáveis que restaram o alemão foi o que mais me atraiu, talvez por ter parentes alemães, ou simplesmente para sair do comum, ou talves para me sentir desafiada... sei lá!

Agora já posso dizer que Ich spreche ein biβchen Deutsche. Mas não me perguntem mais que isso senão tenho que pegar o dicionário e o material da Wizard!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Festa a fantasia + Bebida = táxi

No último sábado ocorreu a 10ª edição da Pororoca Louca, a tradicional festa à fantasia da Cásper Líbero.

Pela primeira vez os ingressos se esgotaram antes da festa e ingressos não seriam vendidos na porta. Muitas pessoas ficaram inconformadas e vi muita gente fantasiada e sem convite na entrada da festa. Quando entrei, algumas pessoas tinham sido pegas com convites falsos comprados das mãos de cambistas. Nunca imaginei que essa festa fosse tão concorrida (talvez por ter sido a primeira vez que fui) e estou feliz que comprei meu convite com antecedência.

Bom, a festa era open-bar. Devo confessar que exagerei um pouco na bebida, mas como voltei de táxi não tive muito com o que me preocupar (o mal-estar do dia seguinte foi fácilmente resolvido com aqueles flaconetes com líquido marrom que dão um jeito no seu fígado). Mas depois fiquei pensando: e as pessoas que estavam de carro?

Sei que as meninas que estavam comigo estavam de carro, mas acredito (não me decepcionem, hein?!?) que elas esperaram até que uma delas estivesse em condições de dirigir. Mas essa não é a prática mais comum. Talvez a maioria das pessoas que adotam essa prática, ou outras como combinar quem vai ficar sem beber, só passaram a agir dessa forma por medo da "Lei Seca".

Apesar de toda a polêmica sobre ferir o princípio constitucional, eu acredito que a lei é bem-vinda, sim! Claro que os 14,5% de redução no número de acidentes durante o mês de julho foi resultado de uma fiscalização mais severa - o que acredito que já deveria ser feito antes da nova lei - mas ainda acho que o medo de perder a carteira por um ano é o que mais pesa na hora de sair de casa.

Também acho que não é uma taça de vinho que vai deixar alguém incapaz de dirigir (depende da pessoa, é claro), mas ninguém pode negar que nossos reflexos ficam mais lentos. Não estou dizendo que por isso seríamos capazes de provocar um acidente, mas com certeza não conseguiríamos evitar um acidente.

Mas que é chato querer ir no barzinho de carro e não poder, ahhh... é mesmo! Mas não é por isso que vou mudar minha opinião, né?!?

Sei que muitos pensam de forma diferente; sintam-se convidados a discutir (não brigar) através dos comentários - liberei os comentários para os não-usuários do google.
Post Scriptum: eu fui à festa fantasiada de gladiadora, mas o que mais ouvi foi: "Olha a Xena, a princesa guerreira", e eu crente que estava mais para um mix de Britney e Beyoncé, ou até mesmo Pink no comercial da pepsi... We will rock you!

sábado, 23 de agosto de 2008

Calor humano + Teoria dos seis graus de separação

Durante minha curta temporada nos Esados Unidos, percebi que as relações humanas no cotidiano são bem diferentes por aqui - ou lá, whatever...
Primeiro porque quase tudo que você precisar pode ser resolvido recorrendo-se à uma máquina. Comprar bilhetes de metrô, pagar a passagem de ônibus, comprar jornal, água e refrigerante - o dinheiro trocado é obrigatório, o que às vezes causa problemas porque as másquinas dão troco limitado, isso quando dão.
Além disso, os taxistas, recepcionistas e vendedores não são tão atenciosos - entenda-se chegados num papo - como os daqui; somente as palavras necessárias são trocadas.
Embora às vezes eu perca a paciência com as pessoas que puxam papo em filas, adoro conversar com os velhinhos no ônibus (não no horário mais lotado, é claro).
No fundo eu senti falta disso lá, criar conversas era um esforço constante. Ainda bem que com os demais alunos da escola era mais fácil. Não sei se por serem todos novos, ou todos estudantes ou todos os estrangeiros, mas eles eram bem mais fáceis que os americanos!
Sabe aquela Teoria dos Seis Graus de Separação que voltou a ser plausível a pouco tempo?

Por lá seria difícil encontrar o conhecido em comum...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Como pegar ônibus* em 11 lições

* Com algumas adaptações, alguns itens podem ser aplicados aos passageiros do trem e do metrô.
  1. Enquanto gasta no mínimo cinco minutos no ponto do ônibus, agilize a sua vida e as das pessoas que embarcam depois de você: separe seu cartão e/ou dinheiro trocado. O ônibus não precisa ficar parado quando as pessoas não conseguem embarcar porque a donzela não acha a carteira dentro da bolsa;
  2. As mães devem controlar, domar, adestrar os seus rebentos antes de pensar em pegar ônibus com os birrentos. Ninguém precisa ouvir os berros de uma criança remelenta (não os bebês, esses choram mesmo e não tem jeito) logo as 7h00 da manhã;
  3. Queridos estudantes: a mochila pode ficar no chão durante o trajeto. Além de ocupar o espaço de uma pessoa, elas comprometem a circulação e acertam a cabeça de quem está sentado;
  4. Velhinhos simpáticos: marquem suas consultas médicas a partir das dez da manhã. Dessa forma vocês não sofrem no ônibus lotado e as grávidas não precisam ficar de pé porque todos os assentos preferenciais já foram ocupados;
  5. Tiazinhas que já passaram dos quarenta: após essa vida de pobreza vocês já devem ter aprendido a andar de ônibus. Larguem mão de ser folgadas e parem de empurrar os outros que vão descer no mesmo ponto que você;
  6. Donzelas de salto alto e já desesperadas para sentar precisam entender uma regrinha básica da física: dois corpos não ocupam o mesmo espaço. Se você quer sentar, espere eu me levantar, não adianta jogar a bolsa e a busanfa na minha cara que eu não vou descer do ônibus mais rápido por isso;
  7. Madrugadores de plantão e sonolentos em geral: dormir não é um problema (eu também tiro meus cochilos - e até sonho), mas não despenquem suas cabeças no ombro de seu companheiro de ônibus. Dormir no ombro de alguém só se for pai, mãe ou namorado;
  8. Aspirantes a dançarinas de pole dance: não adianta se agarrar no cano em frente à porta. Além de impedir que os outros desembarquem, isso não fará com que vocês cheguem mais rápido aos seus destinos;
  9. Barraqueiras (os) de plantão: ninguém merece acompanhar briga e ouvir desavenças logo de manhã. Traga de casa a sua educação, todos estão na mesma situação dentro do ônibus lotado;
  10. Se você não quer passar pelo aperto do corredor para descer, não dê uma de esperto pra cima do cobrador tentando passar dois pontos antes do seu só para descer pela frente. Os caras passam o dia iteiro no ônibus e conhecem todos os artifícios dos passageiros, como falar que não tem troco só pra não pagar a passagem - eles sabem quando é verdade;
  11. Por último, mas não menos importante: se você precisar avisar ao cobrador ou ao motorista que você vai descer naquele ponto, mas não conseguiu chegar na porta ainda, não grite Vai descer! com voz de gralha.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Esporte como Profissão


Me deixa muito irritada ver a reação da população em relação ao desempenho brasileiro nas olímpiadas.

É uma vergonha estar atrás de países menores e menos ricos, mas que investem na prática de esporte?

China, Cuba e Rússia tem um histórico de bons desempenhos, reflexo das políticas socialistas que sempre investiram pesado na formação de atletas.

Estados Unidos são conhecidos por oferecer bolsas de estudo em faculdades para atletas e a infra-estrutura (estádios, ginásios e centros de treinamento) são de fazer o queixo cair.

Já no Brasil, as pessoas acham bonitas aquelas histórias de pessoas humildes que treinaram a vida inteira em condições precárias e que conseguem chegar a uma competição internacional.

Isso não é motivo de orgulho. Isso sim é uma vergonha.

Durante o tempo que treinei judô, tive a sorte de estar perto de um competidor internacional e um dos mais respeitados judocas do Brasil, o sensei Uchida. Se bem que o judô é muito mais do que as pessoas costumam ver (lutas), e no caso, ele competia no Ju No Kata (a minha prática favorita). Mesmo com patrocínio, ele e seu parceiro não tinham dinheiro suficiente para viajar para o torneio mundial. Para contornar a situação organizávamos festivais de sushi e yaksoba para arrecadar dinheiro.

É por isso que me decepciono quando escuto alguém falar mal da delegação brasileira nas olímpiadas de Pequim. O mau desempenho é apenas um reflexo dos nossos investimentos no esporte.

Não que a gente precise de heróis, mas esses atletas deveriam ser celebrados como tais apenas pelo fato de chegarem lá.

PS: É claro que em algumas categorias o brasil, rivaliza sim, à altura de outros países.

Update - 23.08.2008: nos últimos dias o Brasil conquistou importantes medalhas, agora que estamos em uma melhor colocação no quadro de medalhas talvez as pessoas tenham atenuado as críticas.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O poder do jornalista

Hoje no ônibus duas senhorinhas liam juntas um desses jornais gratuitos.

Alguma notícia as deixou supresas e elas começaram a tecer comentários. Pelo que pude ouvir, provavelmente mais um crime sangrento aconteceu na cidade.

Eu olhei e pensei comigo: mas essas coisas acontecem todos os dias! Pra que tanto espanto se está sempre nos jornais?!?

Mas a reação delas não era só a essa notícia. Tudos que elas liam provocava uma reação de surpresa nelas, mesmo as coisas mais simples e corriqueiras da rotina de uma grande cidade.

E então eu compreendi qual é o poder (ou dever?) de um jornalista.

Aquelas senhoras estavam sendo apresentadas a uma realidade que não fazia parte do mundo delas, e não consigo parar de pensar que com isso o universo delas se expandiu.

É isso que eu gosto na minha (futura...atual?) profissão. Eu sempre gostei de mostrar, contar ou levar as pessoas para algo diferente que elas não conheciam. Pode ser através de palavras escritas ou faladas, de imagens impressas ou com vida; e nem precisa ser algo pitoresco, basta ser novo para aquela pessoa.

Sempre escuto que sou a rainha do conhecimento inútil, mas também sempre que conto alguma dessas "anedotas" alguém comenta: só a Sarah pra saber uma história dessas.

Eu deveria me preocupar com isso e procurar passar uma imagem mais séria e culta, mas de um jeito estranho isso me deixa feliz.

E é isso que eu gosto de fazer. Se uma coisa me deixa curiosa, eu quero entender o que é, como é e porquê é; e depois quem sabe contar o que eu vi para mais alguém.

imagem retirada do blog: tatuape.files.wordpress.com